Publicado por: Aleksandra Zakartchouk em: maio 24, 2009
Sai da aula de swásthya yôga cheia de pique ao meio-dia e fui de bike pro parque do Ibirapuera, toda feliz querendo pedalar muito. O dia estava azul, típico céu de outono, ou seja, o parque estava bombando.
Não sei se sou otimista ou teimosa de insistir em pedalar na ciclovia de asfalto quando uma galera sem-noção invade o território. Fico indignada, sinceramente: a ciclovia foi feita para ciclistas pedalarem, mas em dia de farofeiro, isto não é respeitado e o risco de acidente é iminente. Daí eu estou no gás e, de repente, me deparo com essas cenas:
1) Mãe se distrai e filho cruza, do além, meu caminho de tico-tico;
2) Família passeia de mãos dadas pela ciclovia;
3) Grupo de ciclistas-joselitos pedalam na contramão lado a lado trocando idéia, ocupando todo o espaço de fuga;
4) Galera estaciona meia dúzia de bikes no “meio” da ciclovia pra tirar fotos;
5) Garoto pedala olhando pra trás conversando com o pai e vem justo em minha direção;
… e a pior em termos cinematográficos:
6) Mãe “estaciona” carrinho da criança no meioooo da ciclovia pra dar – calmamente – algodão doce na boca do filho.
Quem frequenta o parque sabe que isso não é um fato isolado, acontece o tempo todo de fim de semana. Vou mandar um e-mail pra administração do parque sinalizar melhor a ciclovia, fazer informativos pra quem aluga bike no local, enfim, não é possível! O mundo sem regras não funciona. Que Babilônia! Se você quiser me ajudar nesse grito, manda e-mail pra administração também…
Os incomodados que se mudem

Longe do asfalto e da muvuca sem-noção... <<foto by Alek>>
Como a proposta era me exercitar e me divertir, desisti de passar nervoso no asfalto depois de quatro voltas. Comi um açaí pra fazer pitstop e me enfiei nas pistas de terra no meio das árvores: ufa, nada de tico-tico, nada de mãe-joselita-sem-noção.

Santa Paz: que diferença... <<foto by Alek>>
O desafio agora eram somente os impostos pela natureza em um parque urbano: pedras, raízes altas, galhos caídos, trechos escorregadios por causa de folha molhada – tudo perfeito. Estava curtindo dar uns tranquinhos com a bike até perceber que o pneu traseiro tinha furado. Putz… Resignada (afinal essas coisas acontecem), lá fui eu pra bicicletaria no portão 4.
Quinze minutos depois, não entreguei as cartas. Resolvido o contratempo, decidi abstrair de todos eles: zerei a quilometragem na minha cabeça, acertei a trilha no meu i-pod, olhei pro azul do céu e o verde ao meu redor, canalizei a energia pra ação e comecei tudo de novo. Sai pedalando feliz, como se nada tivesse acontecido.

Harmonia: a natureza me equilibra... <<foto by Alek>>